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quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

CONCEPTUALIZAÇÃO: TEORIAS, DEFINIÇÕES, TIPOS DE INTELIGÊNCIA

Sobredotação: controvérsias, abordagens, ambiguidade

A sobredotação é um dos estudos mais controversos da Psicologia. Ainda não existe uma explicação única e completa, universal. É um verdadeiro problema científico cuja compreensão está longe de ser alcançada. Ao longo da história verificaram-se casos em que certos indivíduos em idades muito precoces eram capazes de realizar actividades/tarefas que a maioria dos adultos faziam com o mesmo nível de mestria.
Na psicologia diferencial este conceito tem vindo a ser procurado desde sempre, assim como a sua origem, explicação e especificidades. A título de curiosidade, o sobrenatural foi a primeira causa que explicava os elevados níveis de rendimento e execução dos génios/sobredotados. Ao longo do tempo, o desenvolvimento científico possibilitou outras explicações mais objectivas e concretas. Foram vários os investigadores que trabalharam no sentido de definir e explicar a sobredotação.


Investigações

Os estudos mais clássicos de superioridade mental foram levados a cabo pelo grupo de L. Terman a partir dos anos 20. O estudo da sobredotação intelectual não se poderia realizar sem dispor dos testes de inteligência. Em 1921, deu inicio à sua investigação que se prolongou durante 50 anos. Realizou um estudo sistemático da sobredotação intelectual a partir de identificação de rapazes sobredotados, por meio da média de QI e através da escola, utilizando também informação dos professores que identificavam aqueles que tinham um rendimento muito elevado dos restantes colegas. Este estudo seleccionou inicialmente 1500 rapazes das escolas da Califórnia e raparigas com pontuações superiores a 140 segundo a escala de Standford-Binet1.
A investigação inicial (1925) comportava 1000 sujeitos representativos da população escolar da Califórnia em função do seu nível de inteligência. Foram seleccionados 857 homens e 671 mulheres com base na administração da escala de inteligência de Standford-Binet. O objectivo fundamental consistia na realização de uma investigação longitudinal destes sujeitos, até chegar à idade adulta e depois comparar os resultados, em distintos âmbitos da vida real, com outros sujeitos de características semelhantes (excepto o seu nível de QI). Realizaram múltiplos estudos parciais, administrando diferentes testes de personalidade e capacidade, exames médicos, provas de rendimento escolar, estudos de interesses e actividades pessoais, etc. Estes estudos conseguiram uma participação e seguimento de 90% do total dos sujeitos, aproximadamente.
A primeira deste estudo acontece em 1930. Burks, Jensen e Terman avaliaram de novo as crianças desta mesma experiência com outras provas e testes. Observou-se uma baixa do QI que se esperava encontrar, especialmente nas raparigas, cerca de mais ou menos 13 pontos, enquanto que nos rapazes constatou-se somente uma baixa de 3 pontos. 80 dos 100 sujeitos haviam adiantado os seus estudos escolares. Avaliou-se também o QI dos irmãos dos sujeitos e constatou-se que tinham uma média de QI de 123 pontos. Neste trabalho descreveu-se com detalhe aspectos das habilidades destas crianças, assim como os seus escritos. Depois, compararam com os escritos de juventude de emigrantes escritores e mostram a grande semelhança existente entre eles. Contrariamente, o estereótipo de menino-prodígio e débil confirmava a observação de que essas crianças eram mais saudáveis e curiosamente mais altos (em termos de estatura) do que os do grupo de controlo, sendo interpretado como um efeito nutricional associado à classe social mais alta do que os meninos sobredotados.
Passados 25 anos concretiza-se o segundo momento do estudo. Terman e Oden recorrem a novos dados. Avaliaram o êxito dos sujeitos conquistados até àquele momento relativos à sua carreira académica e profissional.
Compararam-se os seus resultados num teste especial com os grupos de estudantes universitários avançados. Foram repartidos em grupos, sendo a divisão feita entre bem sucedidos (A) e menos bem sucedidos (B). O grupo A foi o mais elevado nas suas pontuações, alcançando muito melhores trabalhos como também maiores níveis educativos. A nível de personalidade, ambos os grupos diferiam nos que tinham mais êxito: detinham um comportamento finalista e orientado, eram perseverantes e seguros. Para além disso, tinham um maior número de pais graduados e provinham de famílias estáveis e contextos mais seguros. Dado que não havia diferenças muito notáveis e QI para ambos os grupos, considerou-se que os factores mais influentes deveriam ser de carácter social.
A terceira parte acontece 35 anos depois. Terman afirmou que 85% do total sujeitos que entraram n Universidade, e apenas 70% terminaram, ou seja, 10 vezes mais do que no grupo de controlo. As licenciaturas eram habitualmente alcançadas com as melhores classificações. Os ganhos obtidos pelas mulheres incluídas neste estudo, embora se pensasse que iriam ser inferiores às do grupo de controlo, revelaram-se também superiores.
A última publicação relacionada com este estudo foi concretizada três anos depois da morte de Terman (1959). Demonstraram uma série de conclusões acerca dos sobredotados de Genovart e Castelló (1990) que podem ser sintetizados da seguinte forma: existe superioridade física (em diverso parâmetros) sobre os sujeitos do grupo de controlo; nos testes de rendimento só pontuam as crianças de três anos acima dos seus companheiros de classe; realizam um maior número de leituras habitualmente; o seu nível de interesse é muito mais elevado.
Em 1968 um colaborador de Terman, Oden, publicou os últimos resultados da última parte da investigação dos sobredotados. Os resultados estavam em concordância com os anteriores, já que os indivíduos haviam alcançado posições profissionais e sociais privilegiadas. Administrado o teste Standford-Binet sobre um total de 115 membros do grupo inicial, as suas pontuações encontravam-se acima de 133 (média de 140). Este estudo, pela sua magnitude e desenvolvimento, considera-se um dos mais prestigiados e destacados dos que fazem referência ao tema sobredotação. No entanto, desenvolveu-se num período em que os modelos factoriais da inteligência eram incipientes e a inexistência dos critérios de controlo em variáveis criticas (sobre representação de indivíduos de classe alta), colocaram em causa algumas das conclusões.

Renzulli foi um outro pesquisador interessado na inteligência acima da média. Desenvolveu um estudo sobre a sobredotação, numa tentativa de responder às questões relativas ao seu conceito e às suas características, que apresentam algumas dificuldades. Para o conseguir, criou um modelo para definir as três características fundamentais do aluno sobredotado. Na sua pesquisa, concluiu que esses três traços são básicos e estão interrelacionados: uma elevada capacidade geral e/ou capacidades especificas acima do normal; elevados níveis de dedicação na tarefa e por fim; altos níveis de criatividade.
Depois de identificados, cada um destes elementos foi estudado e definido mais aprofundadamente.
Relativamente ao primeiro traço, a inteligência elevada corresponde a todas as crianças que possuem uma capacidade intelectual acima da média e uma facilidade para aprender muito superior ao resto dos seus colegas. Tal como na deficiência, na sobredotação é importante falar de grau, para discernir as necessidades. É uma questão essencialmente de grau, há um génio em cada 10.000.000 de pessoas. As crianças sobredotadas existem na população numa proporção 2,5% (130-145) da população, em grau moderado, de 0,1% 1 em 1000 (145-160), em grau profundo, superior a 160 de 1 em 33.000 ou seja 0.003%.
Porém, um nível elevado de QI, por si só, é insuficiente para afirmar a existência de sobredotação num aluno. O QI é somente um dos meios para o descobrir, visto que nos permite obter informação acerca da sua capacidade intelectual.
No que diz respeito ao elevado nível de dedicação na tarefa, o factor “motivação” faz referência ao interesse e dedicação que estes alunos manifestam nas várias tarefas instrutivas. São crianças com uma grande curiosidade multitemática, o qual obriga a estabelecer critérios de selecção e planificação de trabalho escolar. São também muito perseverantes, característica específica dos alunos sobredotados.
Por fim, entendemos o alto nível de criatividade como a posse de um pensamento divergente, que favorece a busca de soluções e alternativas originais para um problema. Os sobredotados têm por isso uma capacidade inventiva muito superior à média.
Estes três factores, segundo Renzulli, são fundamentais para identificarmos uma criança sobredotada. No entanto é imperativo evidenciar que estes não podem ser considerados isoladamente para se tomar uma decisão. É obrigatória convergência entre eles. Só teremos a identificação total através destes elementos construtivos.
Foram efectuadas muitas outras investigações sobre o conceito de sobredotação, no entanto, nenhuma conseguiu alcançar uma lei universal, concreta e completa, já que se trata de um assunto complexo com inúmeras implicações, causas e especificidades que colocam ainda muitas dúvidas por responder.

1 comentário:

Jane Atanasov disse...

Bom dia!

Gostaria de saber,onde fazer os testes, quem procurar? Se possível endereço ou telefone? Para uma criança de 11 anos( menino).
Meu endereço eletrônico de contato é: jane.atanasov@hotmail.com
Grata...JANE.