Este Blog tem uma média de visitas de 80 pessoas por dia no entanto raramente as pessoas deixam um comentário. Desafio os visitantes do blog a escreverem a opinião acerca do que leram.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

SOBREDOTAÇÃO NA IDADE ADULTA

Foi solicitada uma entrevista ao Prof.Doutor Marcelino Pereira, docente da Faculdade de psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, que tem desenvolvido várias investigações na área da Sobredotação. O nosso objectivo era saber mais sobre os indivíduos sobredotados na idade adulta, uma vez que a informação sobre este tema ainda é muito escassa.

1- Porque é que não há muita informação sobre sobredotação na idade adulta?

Quando se fala em sobredotação na criança, fala-se das implicações que existem em contexto escolar. Fala-se também na criança porque ser ou não ser, tem implicações directas na infância. Isto poderá acontecer noutros domínios, como nas dificuldades de aprendizagem, área esta carece também de exploração.

2- Que características particulares se podem encontrar em adultos que foram crianças sobredotadas?

Depende muito da área de expressão. Por exemplo, quando o talento é do domínio da física ou da matemática persistem mais traços de extroversão. Na área das letras, por sua vez, a introversão é mais marcada podendo estar relacionada com a psicopatologia.

3- Uma criança que consegue numa Wisc III um Q.I. de 140, poderá na idade adulta obter um resultado equivalente numa WAIS, ou não?

Em termos de desempenho num teste de inteligência, sabemos que existe uma estabilidade temporal na escala de inteligência com correlações muito elevadas (0.7, 0.8) entre os seis/sete e os quinze anos. Nas raparigas, a estabilidade temporal é tendencialmente mais significativa. No que diz respeito a aplicar uma Wisc e passado trinta ou quarenta anos aplicar uma WAIS, num intuito de saber a estabilidade dos resultados, não tenho conhecimento de investigações ou estudos que clarifiquem esse assunto.

4- As altas capacidades mantém-se na idade adulta?

Não em todos os casos. Sabe-se isso através de estudos longitudinais, como o estudo de Terman (1920-1995), que acompanhou os sujeitos da infância a idade adulta. Estes sujeitos na infância demonstraram capacidades excepcionais, já na idade adulta estas são entendidas como capacidades superiores, mas não tão excepcionais como na infância. Por exemplo, na amostra de 1500 sujeitos nenhum recebeu um Nobel. São estudos em aberto em que todas as crianças sobredotadas apresentam-se como adultos também sobredotados. No entanto, existem “génios” que não demonstraram a sua excepcionalidade na infância.

5- Os problemas de socialização que se dão em crianças sobredotadas na infância, mantêm-se na idade adulta?

Não há muita informação sobre esse assunto. Mas pode-se dizer, em exemplo, que quando os problemas de comportamento são mais de cariz internalizante, como por exemplo, neurótico-obsessivo, psicoticismo, comportamento esquizóide ou tendência para a depressão, se mantém mais estáveis. Contudo, quando os problemas são mais de carácter externalizante, como o comportamento agressivo, a agitação motora, a estabilidade do comportamento já não é tão grande, facilitando a alteração desses comportamentos.


6- Uma elevada necessidade de criar mantém-se na idade adulta?

Esta necessidade de criar pode aplicar-se tanto na infância como na idade adulta. A abertura à novidade, um menor atendimento a pressão social, ao status quo, uma maior sensibilidade para apreciar o belo. É, portanto, um dos traços marcantes do adulto sobredotado.

7- Em termos da idade adulta, qual é a grande diferença entre o sobredotado e um génio?

Tal como na deficiência, na sobredotação é importante falar de grau, para discernir as necessidades. É uma questão essencialmente de grau, há um génio em cada 10.000.000 de pessoas. As crianças sobredotadas existem na população numa proporção 2,5% (130-145) da população, em grau moderado de 0,1% 1 em 1000 (145-160), em grau profundo de 1 em 33.000, ou seja 0.003% (superior a 160).

8- Qual é o tipo de grau que tem o tipo de psicopatologia mais avançada?

É na sobredotação profunda em que existem mais problemas associados à psicopatologia. Quanto mais se avança em grau, mais profunda é a psicopatologia. Uma criança sobredotada de grau ligeiro se tiver um bom professor, uma boa escola, uma boa rede de suporte não precisa de grandes adaptações nem de grandes apoios. Num outro contexto, já poderá precisar. Não há uma relação linear.


Sobredotação na idade adulta
Conclusões:

Nem todas as crianças com capacidades excepcionais na infância as mantêm na idade adulta.

Os problemas que as crianças sobredotadas possuem de cariz internalizante (depressão, psicoticismo, comportamento neurótico-obsessivo) têm muito maior probabilidade de se prolongarem para a idade adulta do que os comportamentos externalizantes (comportamento agressivo., agitação motora, etc.)

A abertura à novidade, um menor atendimento à pressão social, ao status quo .


A sensibilidade para apreciar o belo. É um dos traços marcantes do adulto sobredotado.

Só se pode falar de genialidade na idade adulta, se a sua conceptualização assentar na ideia de que a diferença entre esta e a sobredotação é essencialmente de grau.

A probabilidade de psicopatologia aumenta quanto maior for o grau de sobredotação que o indivíduo detém, mas não existe relação directa entre psicopatologia e sobredotação.

3 comentários:

Alexandra Caracol disse...

Criança sobredotada que possui blogue com assuntos para crianças:

http://br.youtube.com/results?search_query=D%C3%A9bora+Caracol

Júlio Guerra disse...

Gostei do texto, concordo com tudo e gostaria imaneso de participar em alguma palestra na universidade de psicologia.

Ginha disse...

Gostei do conteudo, mas contudo gostaria que na realidade se passasse á pratica , pois existe ainda muita crianca, que durante a infancia as suas capacidade sao reprimidas nao tendo qualquer apoio educacional neste campo.